Deve vir de mim essa cor. E essa luz pálida que molha as cortinas, também deve vir de mim. Brotei num resto de matéria escura numa beira de universo, e esse céu lavanda, e essa luz pálida e a preguiça e o sorriso e as bicicletas, tudo isso que preenche o mundo exala do meu pijama.
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Recortes de uma Bruxa ilhoa #5.
Não me falem em fadas. Foram dar uma de seres superiores e agora vejam, tão fofinhas, não servem nem para mães, nem para amantes. Só para madrinhas.
Recortes de uma Bruxa ilhoa #3.
Nunca pensei em arrancar meu aparelho, nem meus óculos.
Já pensei sim, em arrancar dentes e olhos.
Podem ir-se os dedos, mas quero todos os meus anéis.
Recortes de uma Bruxa ilhoa #2
Ninguém liga pra dor de bruxa. Eu sou feia, queixuda, tenho olheiras, espinhas nas costas e nariz adunco. E sou má, dizem. Mereço é que doa.
Recortes de uma Bruxa ilhoa #1
Eu não sou a princesa do seu conto de fadas.
Eu sou a bruxa má. Só sirvo para dar emoção à história e sair derrotada no final.
No meu céu, Escorpião.
A noite tresandando a veneno e meu corpo aberto numa estrela. Pentagrama de pele emanando cheiro ao invés de luz. Exalando mulher por todas as pontas – ainda mais mulher pelos ângulos. Pernas, pescoço, braços, cintura: arestas de múltiplas curvas e nenhuma escolha a não ser te venerar, Escorpião. Você que quando surge: um rei nato no meu céu lavado a breu, cruza-o sem dar por mim. Você que não ferrão, falo. (Cruza-me sem dar por mim). Fecunda-me de veneno e deleite. Você que não músculos, gás. Que não pele, armadura. Eu que não gás, mulher: por mais pentagrama, jamais estrela. Jamais Antares. Jamais seu coração, Escorpião. (Perchè non rossa, bianca). Por isso me ritualizo, me abro, me exalo. Pois quem não predador, presa. Quem não Órion, Diana. Quem não Golias, pedra. Ah, que ainda tropeça em mim!
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