Chegou o outono à minha varanda




Eu debruçada no peitoril e o céu, serpejando como um lençol estendido, me molha de sereno. Enfebreço. Estou quente e úmida como um pedaço de mata atlântica. Do canto da janela vejo o cheiro de uma petúnia se desprendendo. Vai flutuando, cintilante, como fosse a alma dela acabada de morrer. O outono chegou, finalmente, à minha varanda. Nota-se também pela brisa arrastada, suspiro de calor que se despede.

Laivos de sangue de um verão explodido mancham o horizonte, escorrem viscosamente. Envermelham tudo. As árvores, o chão dos jardins, a cara da gente. Mas eu contrario o outono e broto folhas nos meus cadernos. (verdejo flores no cabelo). É assim: quando tudo à minha volta outona, eu primavero.



Um comentário:

Rosinha disse...

Na minha terra a primavera não faz florescer o colorido dessa estação, na minha terra é eternamente calor, sempre verão, mas as flores da minha eterna estação estão lá, fazendo doer de saudades meu coração.


Xerão Maria ;)